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domingo, 27 de fevereiro de 2011

CARICATURA

Caricatura é um desenho de um personagem da vida real, tal como políticos e artistas. Porém, a caricatura enfatiza e exagera as características da pessoa de uma forma humorística, assim como em algumas circunstâncias acentua gestos, vícios e hábitos particulares em cada indivíduo.


A distorção e o uso de poucos traços são comuns na caricatura. Diz-se que uma boa caricatura pode ainda captar aspectos da personalidade de uma pessoa através do jogo com as formas. É comum sua utilização nas sátiras políticas; às vezes, esse termo pode ainda ser usado como sinônimo de grotesco (a imaginação do artista é priorizada em relação aos aspectos naturais) ou burlesco.

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MITO DO SEBASTIANISMO

O Sebastianismo foi um movimento que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como consequência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Por falta de herdeiros, o trono português terminou nas mãos do rei Filipe II de Espanha.
Basicamente é a esperança na vinda de um messias salvador e traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre.
Apesar do corpo do rei ter sido removido para Belém, o povo nunca aceitou o facto, divulgando a lenda de que o rei se encontrava ainda vivo, apenas esperando o momento certo para voltar ao trono e afastar o domínio estrangeiro.
O seu mais popular divulgador foi o poeta Bandarra, que produziu incansáveis versos clamando pelo retorno do Desejado, como era chamado D. Sebastião, vindo a ser o seu cognome.
Explorando a crendice popular, vários oportunistas tentaram  fazer-se passar pelo rei desejado, na tentativa de obter benefícios pessoais. Quando descobertos, foram condenados à morte.
Finalmente, em 1640, através do golpe da Restauração, Portugal voltou a ser independente e o movimento começou a desvanecer-se. O Sebastianismo porém continuou vivo por muito tempo na mentalidade dos Portugueses.


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TEMPO E ESPAÇO NA OBRA DE FERI LUÍS DE SOUSA


Espaço

            O espaço situa-se em três lugares: o palácio de Manuel de Sousa Coutinho (acto I), palácio de D. João de Portugal (acto II) e a capela / parte baixa do palácio (acto III).
            A mudança do acto I para o II é provocada pelo incêndio e o espaço tende a concentrar-se. O acto I envolve um espaço aberto, com amplas janelas, luz, decorado e comunica com o exterior, o que se relaciona com alguma felicidade que se vive naquele lugar.
            O acto II decorre num espaço mais fechado, mais sombrio e melancólico. Não tem janelas e as portas têm reposteiros, há grandes retratos de família, lembrado o passado. É aqui que vai chegar o Romeiro e  felicidade da família começa a desagregar-se.
            No acto III, o espaço ainda é mais fechado e subterrâneo, não há janelas e há pouca portas. Não há decoração. Na capela não há decoração, há apenas um altar e uma cruz, símbolos de sacrifício e de morte. É lá que Manuel e Madalena vão professar e maria vai morrer.
            Em suma pode dizer-se que, à medida que a acção avança e se torna mais trágica, o espaço é mais fechado e opressivo e aniquilador das personagens.


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Tempo

            Tal como o espaço, também o tempo se fecha e concentra. Inicialmente amplo e vasto (21 anos).
·      1578 – batalha de Alcácer Quibir.
·      +7 – anos de buscas por parte de Madalena.
·      +14 – segundo casamento / +13 nascimento de maria
·      1599 – tempo presente.

No presente, a peça passa-se numa sexta-feira à tarde, 21 anos após a batalha de Alcácer Quibir, passam oito dias desde o incêndio (noite de sexta para sábado), é de novo sexta-feira. Chega o Romeiro, Manuel de Sousa e Madalena professam e maria morre.
Toda a acção dramática se passa “Hoje”, o dia em tudo se concentra: por um lado, Madalena teme esse dia; por outro lado, D. João quer chegar ali “Hoje” (é o dia em que faz 21 anos que ocorreu a batalha.
Em síntese, podemos dizer que a acção, espaço e tempo convergem e concentram-se progressivamente, até à tragédia final.

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CARACTERÍSTICAS DAS PERSONAGENS EM FREI LUÍS DE SOUSA

Madalena de Vilhena
É uma heroína romântica, vive marcada por conflitos interiores e pelo passado. Os sentimentos e a sensibilidade sobrepõe-se à razão e é uma mulher em constante sofrimento. Crê em agoiros, superstições e dias fatais (a sexta-feira). É uma sofredora, tem um amor intenso e uma preocupação constante com a filha Maria, contudo coloca a cima de tudo a sua felicidade e amor ao lado de Manuel  de Sousa, mesmo o seu amor à pátria é menor do que o que sente por Manuel. No final da obra, aceita o convento como solução,  mas fá-lo seguindo Manuel (ele foi? Eu vou)


Manuel de Sousa Coutinho
É o típico herói clássico, dominado pela razão, que se orienta por valores universais, como a honra, a lealdade, a liberdade; é um patriota, um velho português às direitas, forte, corajoso e decidido (o incêndio), bom marido, pai terno, não sente ciúmes do passado e não crê em agoiros. O incêndio e a decisão
violenta de o concretizar é um traço romântico.
            Contudo, esta personagem evolui de uma atitude interior de força e de coragem e segurança para um comportamento de medo, de dor, sofrimento, insegurança e piedosa mentira no acto III quando teme pela saúde da filha e pela sua condição social.
            No final da obra, mostra-se tão decidido como noutros momentos: abandona tudo (bens, vida, mundo)e refugia-se no convento.


Maria de Noronha
            É a mulher-anjo dos românticos (fisicamente é fraca e frágil; psicologicamente é muito forte).
            Nobre, de inteligência precoce, é muito culta, intuitiva e perspicaz. Muito curiosa, quer saber tudo... É uma romântica: é nacionalista, idealista, sonhadora, fantasiosa, patriota, crente em agoiros e uma sebastianista.
            É a vitima inocente de toda a situação e acaba por morrer fisicamente, tocada pela vergonha de se sentir filha ilegítima (está tuberculosa).

          
D. João de Portugal
            Nobre cavaleiro, está ausente fisicamente durante o I e o II acto da peça. Contudo, está sempre presente na memória e palavras de Telmo, na consciência de Madalena, nas palavras de Manuel e na intuição de Maria.
            É sempre lembrado como patriota, digno, honrado, forte, fiel ao seu rei; quando regressa, na pele do Romeiro é austero e misterioso, representa um destino cruel, é implacável, destrói uma família e a sua felicidade, mas acaba por ser, também ele, vitima desse destino. Resta-lhe então a solidão, o vazio e a certeza de que ele já só faz parte do mundo dos mortos (é “ninguém”; madalena não o reconhece; Telmo preferia que ele não tivesse voltado pois Maria ocupou o seu lugar no coração do velho escudeiro):
            D. João é uma figura simbólica: representa o passado, a época gloriosa dos descobrimentos; representa também o presente, a pátria morta e sem identidade na mão dos espanhóis / e é a imagem da pátria cativa.


Telmo Pais
            É o velho aio, não é nobre, contudo a sua convivência com as famílias nobres, “deu-lhe” todas as características de um nobre (postura, fala, educação, cultura...).
            É o confidente de Madalena e de Maria.  Fiel, dedicado, é o elo e ligação entre as duas famílias (os dois maridos de Madalena), é a chama viva do passado que alimenta os terrores de Madalena.
É muito critico, cria juízos de valor e é através dele que  consciência das personagens fragmentada que vive num profundo conflito interior pois sente-se dividido entre D, João e Maria, não sabendo o que fazer.
É um sebastianistas e sofre muito pela sua lealdade.


Frei Jorge
            Irmão de Manuel de Sousa, representa a autoridade de Igreja. É também confidente de Madalena, pois é a ele que ela confessa o seu “Terrível” pecado: amou Manuel de Sousa ainda D. João era vivo. É um uma figura moderadora, que procura harmonizar o conflito, modera os sentimentos trágicos. Acompanha sempre a família, é conciliador, pacificador e impõe uma certa racionalidade, procurando manter o equilíbrio no meio de uma família angustiada e desfeita.


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ACTO III


Manuel de Sousa é informado por frei Jorge de que D. João de Portugal está vivo e chegou na figura de um romeiro. Manuel consciente das dimensões da noticia, lamenta a ilegitimidade da filha, a sua quase certa morte e, num momento de desespero romântico, chora, sente-se confuso, dispõe-se a dar vida por ela, considera-se o principal culpado da situação da filha, revolta-se contra o Romeiro, arrependendo-se de o ter julgado tão cruelmente e decide professar, deixando assim o mundo e as suas vaidades. 
Paralelamente, Telmo prepara-se para o encontro cm D. João, o seu velho amo, por quem toda a vida desejou o seu regresso mas que, agora, perante a evidência da sua vinda, sente-se fragmentado e vive um profundo conflito interior, não sabendo por qual dos dois (D. João ou Maria) optar. Sofre muito, pois percebeu que Maria ocupou o lugar no seu coração que outrora estava ocupado por D. João e não sabe que caminho seguir. O encontro entra Telmo e D. João é muito emotivo. D. João depois de várias perguntas feitas ao seu fiel aio, ordena-lhe que vá dizes a D. Madalena que tudo não passou de um embuste, o Romeiro é vagabundo, um impostor, um mentiroso. Contudo, é já tarde de mais.
A decisão de Manuel já estava tomada e Madalena, depois de algumas e dúvidas e de tentar demover Manuel de Sousa, pondo a hipótese de que o Romeiro seria falso, acaba por segui-lo e professar.
Inicia-se o ritual que Maria interrompe, proferindo um logo discurso de revolta perante a sociedade, as leis do casamento, o mundo e Deus. Pede desesperadamente aos pais q eu a libertem da mancha do pecado da ilegitimidade e perante o silêncio destes, Maria acaba por morrer, confessando que morre de vergonha. Os pais professam perante o cadáver da filha.


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sábado, 26 de fevereiro de 2011

ACTO II

Cena I – Maria e Telmo
Maria pretende conversar com Telmo, para que este lhe revele a identidade do retrato que tanto assustava a mãe.
O incêndio do palácio provocou impressões diferentes entre Maria e Madalena, maria ficou fascinada, encontrou nele alimento para a usa fértil imaginação; Madalena ficou doente, aterrorizada, cheia de pesadelos, liga o incêndio à perda do marido, de que a destruição do retrato é um prognostico fatal.
Tal como no acto I, Maria agora cita o inicio de um livro trágico (pressentimento de fatalidade).
Na sala dos retratos, onde Maria conversava com Telmo, há 3 retratos que a fascina. Ela conhece dois mas quer confirmar o de D. João de Portugal. Em analepse, recorda o que ocorreu oito dias antes e que tanto perturbou a mãe, deixando-a doente. As atitudes estranhas da mãe perante o retrato deixaram Maria curiosa.
Telmo alterou a sua posição face Manuel de Sousa depois do incêndio: antes admitia as suas qualidades, mas não o admirava; agora admira-o pelo seu patriotismo e lealdade.
Quando Maria questiona Telmo sobre a identidade do retrato, este não responde.

Cena II – Maria, Manuel de Sousa e Telmo
É Manuel de Sousa (que entra sem que nenhum dos dois - Maria e Telmo – se aperceberem) que revela a identidade do retrato a Maria.
Manuel de Sousa refere-se a D. João, tal como fizera na cena VIII do acto I: admira as suas qualidades e não tem ciúmes.
Manuel de Sousa chega encoberto com uma capa, pois anda escondido (há oito dias) dos governadores.
Maria confessa ao pai as suas  capacidades intuitivas: já sabia a identidade do retrato sem ninguém lhe ter dito; era de um saber “cá de dentro”.

Cena III – Manuel de Sousa e Maria
Pai e filha conversam sobre a vida e confessa que com aquela capa parece um frade. Novo indicio de fatalidade.
Acentuam-se as relações familiares;: D. Madalena sempre respeitou D. João, mas nunca o amou; amou e ama Manuel de Sousa.
Maria não controla as emoções diante do retrato de D. João: admira-o pela sua coragem e liga-o ao seu rei, mas ama os seus pais.
Nesta cena, Manuel é meigo, carinhoso e afectivo para com a filha.

Cena IV – Maria, Manuel de so8usa e frei Jorge
Frei Jorge sugere a Manuel de Sousa que o acompanhe a Lisboa para agradecer ao arcebispo pois foi ele que intercedeu junto dos outros governadores.
Manuel decide acompanhá-lo a Lisboa, pois ate precisa de ir ao sacramento conversar com a abadessa (é a tia Joana de Castro que se separou do marido, para ambos professarem). Mais um indicio de fatalidade (também Manuel e Madalena vão separar-se e professar).
Maria quer acompanhar o pai a Lisboa; quer conhecer a tia Joana e quer levar consigo Telmo, frei Jorge e Doroteia.

Cena V – Madalena, Jorge, Manuel e Maria
Madalena que já está melhor, reage mal à ida de Manuel a Lisboa e não quer que a filha a deixe só.
Madalena teme pelo dia de Hoje, é um dia terrível para ela ( faz anos que foi a batalha de Alcácer Quibir); é sexta feira.
Perante toda a confusão, é frei Jorge quem vai resolver a situação, comprometendo-se a ficar com Madalena.
Madalena está cheia de agoiros, muito ligados ao passado, cheia de fatais medos.
Tudo faz pressentir que alguma coisa fatal está para acontecer.

Cena VI – Manuel de Sousa, Madalena e Jorge
Manuel confirma que Maria precisa de espairecer. Talvez lhe faça bem.
Madalena diz que não quer que Telmo fique (Terá medo das suas conversas?)

Cena VII - Manuel de Sousa, Madalena, Jorge e Maria entrando com  Telmo e doroteia
Madalena está preocupada, assustada e temerosa. Chora e pede a todos que não se afastem de Maria, que a protejam.
A despedida é dolorosa e dramática.

Cena VIII – Manuel de Sousa, Madalena, Jorge e Maria entrando com  Telmo e doroteia
Madalena volta a evidenciar a sua incapacidade para não sentir medo e horror.
A despedida é dramática – voltam a referir a Condessa de Vimioso (Joana de Castro) e paira no ar a fatalidade.

Cena IX – frei Jorge, monólogo
Frei Jorge sente só, contagiado também ele pela atmosfera trágica que se adensa.

Cena X – Jorge e Madalena
Madalena dá ordens a Miranda para que fique no mirante até que o bergantim chegue a Lisboa.
Madalena confessa a Jorge que HOJE é o dia da sua vida que mais tem receado.
·         Faz anos que casou a primeira vez.
·         Faz anos que se perdeu el-rei (e D. João).
·         Faz anos que conheceu Manuel de Sousa.
Madalena considera-se uma pecadora.
·         Conheceu Manuel de Sousa quando ainda D. João era vivo.
·         Amou-o assim que o viu; o pecado estava-lhe no coração; a imagem do amante perseguia-a; apenas foi fiel a D. João.
Adverbio de tempo HOJE repete-se nove vezes.


Cena XI – Madalena, Jorge e Miranda
A conversa de Madalena com frei Jorge é interrompida por Miranda. Esta traz a noticia da chegada de um romeiro – peregrino de Espanha, de Roma, dos santos lugares…
Madalena desvaloriza, mas Miranda diz que o romeiro traz um recado que só dará a Madalena.
Depois de algum desinteresse e sobressalto, Madalena dá ordem que mande entrar o romeiro.

Cena XII – Madalena e Jorge
Desconfianças de Jorge face a estranhos.

Cena XIII – Madalena, Jorge e Miranda que volta com o Romeiro
Miranda apresenta o Romeiro.
Jorge apresenta-o a Madalena de Vilhena e pergunta se é ela a quem lhe deseja falar.
O Romeiro como se a conhecesse (e conhece) confirma.

Cena XIII – Madalena, Jorge, Romeiro
É nesta cena que se atinge o clímax da acção.
O Romeiro face às perguntas de que lhe vão fazendo, vai-se dando a conhecer gradualmente.
Madalena, ingenuamente, não conhece D. João.
Constatando que ninguém o conhece, o Romeiro num “eu” e num “ele”, desdobrando a sua personalidade: transforma-se num “eu” que traz o recado de um “ele” / D. João.
A partir da revelação do recado, Madalena apenas compreende que D. João está vivo: a legitimidade de Maria é obvia e o seu casamento foi anulado, Manuel já não existe como seu marido.
Ao longo desta cena, todos os sinais e palavras do Romeiro o identificam com D. João. Todos o percebem. Apenas Madalena não o reconhece.

Cena XV – Jorge e o Romeiro
Face à pergunta de Jorge o Romeiro identifica-se através da palavra NINGUÉM, apontando para o retrato.



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FREI LUIS DE SOUSA - ACTO I

Cena I – monologo de Madalena

Madalena lê Os Lusíadas, no episódio de Inês de Castro. Compara-se Inês mas sente-se mais infeliz porque os terrores contínuos, os medos não a deixam viver um único instante de felicidade, nem sequer breve… A linguagem e emotiva.

Cena II – Madalena e Telmo

Telmo conversa com Madalena e aflige-a com recordações do passado. Nesta cena, todas as personagens são apresentadas:
  • Manuel de Sousa surge desvalorizado em relação a D. João de Portugal.
  • Maria é sempre caracterizada positivamente – curiosa, compreende tudo, formosa, bondosa, viveza de espírito.
  • Telmo – escudeiro valido e fiel, familiar quase parente… Cheio de agoiros e pressentimentos.

Estrutura-se, nesta cena, uma analepse, onde as personagens recuam 21 anos – batalha de Alcácer Quibir (1578), mais sete anos de busca (1585) -  2º casamento de Madalena, nascimento de Maria mais um ano (15999 – presente da acção.

Telmo confessa-se um crente no regresso de D. João e justifica a sua credulidade pelas palavras de uma carta escrita por d. João, onde esta garantia que “vivo ou morto” haveria de voltar.

Madalena pede a Telmo que não fale a Maria em assuntos relacionados com a batalha e D. Sebastião… e ele promete que o fará.

Madalena está preocupada com a demora de Manuel de Sousa que foi a Lisboa, é tarde e não aparece. Pede a Telmo que vá saber noticias junto de frei Jorge.

Cena III – Madalena, Telmo e Maria

Maria evidencia a sua cultura e gosto pela leitura. Pede a Telmo o livro da ilha encoberta… mostra-se uma crente no sebastianismo.

Madalena tenta levar a filha a não acreditar nem em fantasmas nem em fantasias do povo.

Esboça-se um pequeno conflito de Maria com o pai e com a mãe, pois ambos não aceitam ouvir falar do regresso de D. Sebastião. Tal causa estranheza em Maria.



Cena IV – Madalena e Maria

Maria não consegue entender nem compreender a perturbação e preocupação dos pais com ela.

D. Madalena não pode relevar a causa das suas preocupações…

Sem querer, Maria martiriza a mãe, afirmando que lê nos olhos, nas estrelas e sabe muitas coisas, mostrando-se portadora de uma forte imaginação.

Madalena não responde às questões da filha e tenta desviar de Maria, pedindo-lhe que fale do seu jardim.
  • As flores simbolizam a brevidade da vida.
  • As flores de Maria murcharam. Não será um presságio da sua morte?

Cena V – Jorge, Madalena, Maria

Frei Jorge traz a noticia de que os governadores saíram de Lisboa e querem vir hospedar-se na casa de Manuel de Sousa, a noticia é dada progressivamente.
  • Maria e Madalena reagem de formas distintas: Maria mostra-se entusiasmada, dá largas à sua imaginação, idealismo e patriotismo; Madalena revela alguma ingenuidade, é individualista e não revela qualquer sentido patriótico

Novos sinais da doença de Maria: ouve a voz do pai e percebe que vem “afrontado”


Cena VI – Jorge, Madalena, Maria e Miranda

Miranda anuncia a chegada de Manuel de Sousa / confirmação dos sinais da doença de Maria.

Madalena e frei Jorge ficam preocupados e destacam a agudeza do ouvido de Maria. Chamam-lhe “Terrível sinal”.


Cena VII – Jorge, Madalena, Maria, Miranda, Manuel de Sousa

É noite fechada.

Manuel de Sousa entra num tom precipitado e agitado, dando ordens aos seus criados. Algo estranho se passa e Madalena preocupa-se.

Manuel de Sousa usa o seu latim nas suas falas – personagem culta = estatuto social elevado.

Manuel de Sousa confirma as notícias trazidas por frei Jorge na cena V e anuncia que é preciso saírem imediatamente daquela casa.

Face a este anúncio, Maria reage de forma eufórica, intensa e patriótica; Madalena fica assustada e tenta contrariar Manuel.


Cena VIII – Madalena e Manuel de Sousa

Nesta cena contrasta a linguagem serena e decidida de Manuel de Sousa com a linguagem emotiva, hesitante e assustada de madalena.

Manuel mostra-se um herói clássico, racional, o homem presente, o patriota, de consciência limpa, nada teme e para ele não há razões que justifiquem não mudar para o palácio que fora de D. João.

Madalena age pelo coração, é modelo da heroína romântica, assustada, ligada ao passado cheia de pressentimentos e crente que vai morrer, infeliz, naquela casa.

Manuel de Sousa tenta chamá-la à razão e pede-lhe que atente na sua condição social, o ajude e apoie neste momento tão decisivo da sua vida.


Cenas IX e X – Todos

Telmo informa que os governadores desembarcaram.

Manuel de Sousa apressa ainda a mais a saída da casa e a mudança para o palácio de D. João.

Manuel pede a frei Jorge e a Telmo que levem Maria e Madalena


Cena XI – Quase monólogo. Manuel de Sousa, Miranda e outros criados.

Manuel refere o acontecido com seu pai e põe a hipótese de lhe acontecer algo semelhante. É uma prolepse ou antecipação da desgraça que irá acontecer.

Manuel de Sousa mostra-se um homem de valores intensos. Para ele, nada perdura, tudo muda, a vida é uma constante e eterna mudança, tudo é aparência…

Cena XII – Manuel de Sousa e criados, Madalena, Maria, Telmo e Jorge

Concretiza-se o incêndio.

Na impossibilidade de salvar o palácio, Madalena pede desesperadamente que lhe salvem o retrato do seu actual marido / prolepse / antecipação da separação…



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