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sábado, 26 de fevereiro de 2011

CARACTERÍSTICAS DA OBRA DE FREI LUÍS DE SOUSA

Almeida Garrett, na “Memoria ao Conservatório Real” apresenta e classifica a sua obra, considerando-a um drama pela forma e uma tragédia, pela índole.
Assim, as características do drama são o facto de Frei Luís de Sousa ter três actos, ser escrito em prosa, retratar um tema nacional e histórico, apresentar personagens históricas e ter marcas românticas como carácter sensível e sentimental de madalena, a heroína romântica, a fantasia, o idealismo e o patriotismo da maria, a mulher-anjo, as crenças em superstições e os dias fatais, o sebastianismo e a linguagem emotiva, ao serviço dos sentimentos e emoções das personagens. Também o refúgio na religião e a morte de Maria em cena são marcas deste género.
Paralelamente, as marcas da tragédia são as seguintes: número de personagens reduzido, a presença de coro nas figuras de Telmo e de frei Jorge e a presença de elementos típicos da tragédia – a Hybris (o desafio de Manuel de Sousa / incendia o seu palácio e de Madalena / 2º casamento), o pathos (sofrimento decorre da hybris, em crescendo), a anagnórise (aparecimento e reconhecimento de D. João, na figura do Romeiro, que vem fazer desencadear a intriga), dobos e eleos (o terror e a piedade que tomam conta das personagens), o anankê (o destino fatal que se rebate sobre as personagens e a marca para sempre) e cathársis (purificação do espectador)
  

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AlMEIDA GARRETT


João Baptista da Silva Leitão de Almeida e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário 
 Estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

Cronologia das obras
Primeiras edições ou representações
   1819 Lucrécia
   1821 O Retrato de Vénus; Catão (representação); Mérope (representação)
   1822 O Toucador
   1825 Camões
   1826 Dona Branca
   1828 Adozinda
   1829 Lírica de João Mínimo; Da Educação (ensaio)
   1830 Portugal na Balança da Europa (ensaio)
   1838 Um Auto de Gil Vicente
   1841 O Alfageme de Santarém (1842 segundo algumas fontes)
   1843 Romanceiro e Cancioneiro Geral - tomo 1; Frei Luís de Sousa (representação)
   1845 O Arco de Sant'Ana - tomo 1; Flores sem fruto
   1846 Viagens na minha terra; D. Filipa de Vilhena (inclui Falar Verdade a Mentir e Tio Simplício)
   1848 As profecias do Bandarra; Um Noivado no Dafundo; A sobrinha do Marquês
   1849 Memória Histórica de J. Xavier Mouzinho da Silveira
   1850 O Arco de Sant'Ana - tomo 2;
   1851 Romanceiro e Cancioneiro Geral - tomos 2 e 3
   1853 Folhas Caídas
1871 Discursos Parlamentares e Memórias Biográficas (antologia póstuma)


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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Capítulo VI - Peroração


            No 1º paragrafo deste capitulo, o orador começa por referir o facto de os peixes serem animais excluídos dos sacrifícios, porque no altar só podem ser sacrificados animais vivos e os peixes chegariam mortos ao altar; seguidamente passa à comparação com os homens, afirmando que, tal como os peixes, os homens chegam ao altar mortos, ou seja, em pecado mortal. (É uma forte crítica aos cristãos, a quem acusa e desrespeitar Deus)

            No 2º paragrafo, o orador passa à autocrítica, afirmando que melhor fora ser como os peixes e não tomar Deus nas suas mãos, no altar, porque não consegue cumpri verdadeiramente a sua missão como pregador. Tomado os peixes como exemplo, afirma que a condição irracional dos peixes é preferível à sua racionalidade, pois os peixes não ofendem a Deus com palavras, nem com a memória, nem com o entendimento, nem com a vontade. Finalmente, refere que enquanto os peixes cumprem o destino que Deus lhes reservou, ele, pregador, não cumpre a missão que Deus lhe confiou, que é servir a Deus.

            No final do sermão, o orador apela ao louvor a Deus (“Louvai, peixes, a Deus...”) através de uma construção anafórica, que exprime a exortação e  sua intensidade.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Capítulo V - Repreensões em geral

Este capítulo é reservado às repreensões em particular e para tal, o Padre Vieirra repreend quatro peixes:
  1. Os roncadores
  2. Os pegadores
  3. Os voadores
  4. O polvo
1. Os roncadores

São caracterizados como peixes pequenos, fácilmente pescados, mas que roncam muito.

Depois de questionar e constactar que os grandes peixes têm pouca língua, o orador estranha o facto deste peixe tão pequeno fazer tanto barulho. Dá como exemplo alguns homens (como S. Pedro, Golias, Caifas  e Pilatos, lembrando que Deus não gosta de roncadores  que abate aqueles que muito roncam.

Finalmente o orador compara os roncadores com Santo Atónio, observando que tendo este tanto poder e tanta sabedoria, nunca se gabou disso, mas antes se calou. Não foi abatido e a sua voz ficou para sempre. (Fica subjacente a ideia de que estes peixes representam os soberbos e os orgulhosos)

2. Os pegadores

São retratados como peixes pequenos que se "pegam" aos costados dos peixes grandes e vive na  dependência destes, tranquilos e seguros, pois o peixe grande não se pode defender. Contudo, quando o peixe grande morre, os pequenos morrem com eles.

Exemplifica, depois, com Homens (Herodes; toda a sua família e toda a sua corte), (Adão e Eva); segue-se a comparação com Santo António e a observação de que este se pegou com Cristo e com Deus; tornando-se imortal. (Denota-se que estes peixes simbolizam o parasitismo social e os oportunistas que se "atrelam" aos outros, sempre que destes obtenham benefícios.

3. Os voadores 


São caracterizados como peixes com as barbatanas maiores do que as dos outros peixes e, por isso, fazem das barbatanas asas. O orador acusa-os e condena-os, lembrando-lhes que foram criados para peixes e não para aves, logo devem contentar-se com o elemento ÁGUA e não quererem o AR. Por essa razão são pescados como peixes e caçados como aves, alegando que esse é o castigo da sua presunção e da sua vaidade.

Exemplifica, seguidamente, com o mundo dos homens, lembrando a figura de Simão Mago: este quis voar, construiu umas asas, mas caiu e, dessa queda, partiu os pés. Aqui, é importante verificar e reflectir não no castigo mas no seu género: Simão Mago tinha os pés para andar e queria asas para voar, então é justo que perca as asas para voar, mas também que perca os pés para não andar. (Quem tudo quer tudo perde; Quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem.).

Na comparação com Santo António, o orador lembra que este tinha asas: a sabedoria natural e a espiritual e nunca as usou por ambição e nunca as usou por ambição; foi considerado leigo e sem ciência e a sua voz ficou para sempre. (Os voadores são a imagem dos ambiciosos e dos presunçosos)

4. O polvo


Começa por ser retratado na aparência:
   > com o seu capelo na cabeça parece um monge (santidade)
   > com os seus raios estendidos parece uma estrela (beleza)
   > com não ter ossos nem espinhas (brandura)

Contudo, na sua essência, é o maior traidor do mar, utilizando para talo seu mimetismo e enganando o outro peixe que rapidamente é a sua vítima.

Exemplificando, o polvo é comparado a Judas, contudo o orador conclui que, ainda assim, a traição do polvo é maior que a de Judas. (esconde-se, muda de cor; Judas traiu às claras).

Comparando com Santo António, o Padre Vieira lembra que este foi o maior exemplo de candura, sinceridade e verdade. Nele nunca houve mentira.
(O polvo representa os hipócritas, os traidores, os falsos)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Relatório - Visita ao museu Rainha D. Leonor

A turma B do 11º ano da Escola Secundária D. Manuel I deslocou-se no dia 27 de Outubro de 2010 entre as 10h e as 11h e 30m ao museu Rainha D. Leonor com o objectivo de realizar uma visita ao referido Museu, também conhecido como museu regional de Beja Regional de Beja.
A visita foi concretizada no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa e foi organizada pela professora Fátima Santos, com o propósito de nos apresentar algumas obras, na sua maioria barrocas, pois nesta disciplina são estudadas algumas obras literárias desse período histórico. Mais concretamente na análise do “Sermão de Santo António aos Peixes” do Padre António Vieira. Esta obra remete para o séc. XVII, consequentemente para o período Barroco da Época Clássica.
A visita foi guiada por Leonel Borrela, um conhecido pintor bejense, que começou por nos falar das características deste período, referiu a sua influência espanhola e explicou-nos que se espalhou em todos as vertentes da arte.
Seguidamente, continuámos a visita onde observámos o mosteiro, onde fomos alertados para a presença de Traços caracteristicamente barrocos:
  • A talha dourada.
  • O azulejo azul.
  • Os grandes relevos.
Já no corredor, observámos de novo a presença de azulejos de tons azuis e amarelos. Até ao final da visita, ainda observámos quadros, onde era comum a representação de cenas religiosas, típicas do período Barroco. O guia chamou-nos ainda à atenção para a presença de algumas esculturas.
Terminado a visita, considerando que os objectivos da mesma atingidos, pois tivemos a oportunidade de contactar com a arte barroca, visível no estilo da igreja e em alguns elementos decorativos do museu, o que nos permitiu estar “cara a cara” com o Barroco.
Esta foi uma visita bastante enriquecedora, pois estivemos em contacto com a matéria dada na sala de aula dum modo mais concreto.

Capítulo IV - repreensões em geral

1ª Repreensão

» os peixes comem-se uns aos outros. Como se tal não bastasse os grandes comem os pequenos. Se fosse ao contário era menos mal.
 =
  aos Homens, o poderosos explorem / escravizam os fracos.

» o orador faz um pedido aos peixes: olhem para a cidade, onde vive o homem branco, civilizado, mas que exploram os seus semelhantes.

» apela à observação - vejam o comportanmento dos homens e a forma como exploram o seu semelhante.

» seguidamente exemplifica:
  • Homem morto que é "comido"/explorado por todos (os herdeiros, o testamenteiro, os credores, o advogado, a mulher, o médico, os padres) - "Ainda o pobre defunto o não comeu a terra e já toda a Terra o tem comido".
  • O homem vivo/réu em julgamento. Todos o exploram sem dó nem piedade (o meirinho, o escrivão, o carceneiro, o solicitador, a testemunha,...) - "Ainda não está executado nem sentenciado e já está comido"
Conclusão:
Os homens são piores que os corvos
  1. Exploram-se uns aos outros, sendo sempre os maiores/mais poderosos que exploram/comem os mais pequenos/fracos.
  2. Os mais pequenos e frágeis são sempre comidos e explorados.
  3. Os grandes comem os pequenos como pão.
  4. Os pobres são o pão de cada dia dos mais poderosos
2ª repreensão

» A ignorância e a cegueira dos peixes que se deixam pescar atraídos por uma tirinha de pano pendurado no anzol.

» Passagem para o mundo dos homens, também eles ignorantes e cegos pela vaidade que os leva atrás do luxo e do requinte comprando o que não podem pagar e vivendo com dívidas a vida inteira.

» Lembra aos peixes que é grande loucura desperdiçarem a vida por dois retalhos de pano, pois eles não percisam de se vestir e as suas escamas prateadas ou douradas, as suas peles coloridas e vistosas nunca mudam de moda.


O Capitulo termina co o exemplo de Santo António que nunca se deixou enganar pela vaidade.
   - abandonou as vaidades do mundo
   - vestiu uma loba de sarja e uma correia
   - trocou a sarja pelo burral e a correia pela corda
Assim, com a sua simplicidade, "pescou " muitos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Capítulo III - Louvores em particula

1. O Santo peixe de tobias


» Peixe grande no tamanho e grande nas virtudes interiores
» Virtudes:
  • o fel: curava a cegueira
  • o caração: expulsava os demónios
Comparação com Santo António:´
  - com a sua palavra curava as cegueiras interiores dos ouvintes
  - purificava-os


Simbologia do peixe:
simbolizava o poder purificador da palavra de Deus




2. Rémora


» Peixe muito pequeno no tamanho.
» Grande na força e no poder


virtudes:
 - pega-se ao leme da nau;
 - agarra-a e prende-a;
 - não a deixa avançar.


É um peixe que, embora pequeno, tem uma força enorme que quando se agarra ao leme é ele próprio que dita o rumo do navio.

Comparação com Santo António:
 - Santo António foi a rémora da Terra
 - A lingua do pregador foi como uma rémora, pois com a sua palavra conquistou a fúria das paixões humanas.
  • A soberba 
  • A cobiça
  • A vingança
  • A sensualidade
» Simbologia - representa o poder que a palavra tem, afim de ser guia das almas.


3.Torpedo

» Peixe pequeno
» Produz descargas eléctricas

Virtudes:
  - Faz tremer o braço do pescador
  - Não premite ser pescado
  - Salva-se

Comparação com os pescadores da Terra, que são inúmeros, muitos pescam e não tremem, ou seja, não se arrependem dos seus actos, vivem no pecado.

Comparação com Santo António - vinte e dois pescadores da Terra escutaram Santo António e tremeram, ou seja, arrependeram-se  e salvaram-se, apenas com o poder da palvra.

Simbologia - representa a força que tem a palavra de Deus que faz tremer os pecadores.


4.Quatro-Olhos

» Peixinho pequeno
» Andam em cardumes à superfície da água

Virtudes:
  - têm quatro olhos, "cabais" e perfeitos. Dois virados para cima, defendendo-se assim das aves e dois virados para baixo, defendendo-se deste modo dos peixes.

Este peixinho ensinou ao autor que tendo fé e usando a razão deve viver:
  • Apenas olhando para cima, considerando que há ceu.
  • Apenas olhando para baixo, nao esquecendo que há inferno.
  • Compreendeu o pedido do profeta David a Deus ("voltai-me os olhos, senhor, para que não vejam a vaidade", ou seja, só deveria olhar para cima ou para baixo, porque no mundo tudo é vaidade.
O capítulo termina com a apresensentação de mais alguns louvores em geral aos peixes.

Também refere que são os peixes que ajudam as ordens religiosas e as famílias santas a cumprirem os votos e as penitencias.

Por fim abençoa-os.